É provável que você já tenha ouvido alguém elogiando uma máquina ou equipamento, dizendo: "Ela é ótima! Só falta falar."
Se até agora o computador com o qual você trabalha se enquadrava nessa definição, chegou a hora de mudar. De agora em diante ele vai falar!
Mas para que um computador deveria falar? Qual a utilidade disso? Eis duas boas perguntas.
Normalmente, obtemos o retorno que desejamos do computador por meio do monitor. Enviamos as informações via mouse, teclado, etc. Recebemos a resposta retorno através daquilo que podemos identificar na tela. No entanto, no caso de não se poder enxergar o que está na tela, ou a própria tela, o software do tipo leitor de tela nos dá a resposta em áudio. Enviamos as informações usando o teclado e obtemos a resposta por meio das caixas de som ou dos fones de ouvido pelo áudio.
Houve um tempo em que não se utilizava o mouse. As pessoas utilizavam o computador mesmo assim, é claro. Para isso tinham o teclado. Trabalhar com um leitor de tela importa em se priorizar o uso do teclado. Todos os comandos enviados através do teclado são naturalmente atendidos pelo Windows, bem como pelos aplicativos que rodam nessa plataforma.
Enfim, se para o deficiente visual o uso de leitores de tela é imprescindível, para a pessoa que enxerga tal uso é uma opção que pode ser confortável. Pessoas que têm excelente visão usam eventualmente, ao descobrirem por curiosidade ou porque ensinaram informática para DVs, o leitor de tela. Quase sempre essas pessoas percebem que o uso do teclado, embora menos intuitivo do que o uso do mouse, torna mais rápida a realização de várias tarefas.
A distância entre um usuário de computador com perfeita visão e um deficiente visual reside apenas na forma com que ambos obtêm resposta para as informações que enviam à máquina: o vidente identifica na tela do monitor e o deficiente visual ouve por meio das caixas de som ou do fone de ouvido. Para que ambos possam interagir de forma efetiva, basta que o vidente indique a realização das tarefas através do teclado, e que o deficiente visual saiba como substituir o uso do mouse pelo teclado.
Se tivermos em uma sala de aula alunos videntes e deficientes visuais, ambos poderão utilizar confortavelmente as máquinas, caso haja um leitor de tela para os deficientes visuais. O uso do leitor de tela não implicará comprometimento do rendimento da turma, se o deficiente visual tiver domínio do teclado.
A cada dia, mais se utiliza a tecnologia de sintetizador de voz. Isso já familiariza os videntes com a voz sintetizada do leitor de tela. Já os deficientes visuais, em bem pouco tempo, se acostumam com o timbre de voz do sintetizador.
Portanto, um deficiente visual que conheça bem o teclado poderá, com o uso de um leitor de tela, participar de cursos de informática como videntes. Do professor se requer o conhecimento do funcionamento do software leitor de tela.
Quanto ao uso do leitor de tela, em parte, os comandos que utilizamos com o teclado são combinações de teclas relacionadas diretamente com o funcionamento do Windows. Quando pressionamos as teclas Alt + F4 para fechar uma janela, estamos usando um comando do Windows. Assim, se o professor pede aos alunos que fechem uma janela, os videntes podem fazê-lo usando o mouse ou o teclado, ao passo que os DVs utilizarão o teclado. Combinações de teclas como Alt + F4 já são bem conhecidas por videntes e são usadas pelos DVs ao trabalharem com um leitor de tela.
Existem também comandos que são próprios do leitor de tela. Com o Virtual Vision, o usuário quando deseja saber o título de uma janela aberta no Windows pressiona a tecla 0 (zero) do teclado da calculadora. Nesse caso o vidente apenas visualiza a barra de título, enquanto o DV ouve o leitor de tela lhe indicando o que se encontra descrito nessa barra.
Portanto, o professor vidente ao lecionar para DVs já inicia sabendo muito sobre leitores de tela, pois todas as combinações de teclas que conhece serão amplamente usadas com os leitores de tela. Quanto aos comandos próprios do leitor de tela, seu conhecimento, identificação e memorização são gradativos e simples.
Seja bem-vindo a essa jornada!
Você verá como seus horizontes serão ampliados. Como você pode comunicar seu conhecimento em informática a DVs sem que para isso precise passar por um processo longo e cansativo. Tal possibilidade está mais próxima do que você imaginava.